“Tropa de Elite” conquista o Urso de Ouro do Festival de Berlim
Feb 17th, 2008 by Thiago Galesi
Merecido! E o presidente do Júri era Costa-Gavras.
Baseado nas opiniões de quem achava o filme ‘fascista’, eu achava que tinha algo de muito sutil na ironia do filme. E então assisti (faz algum tempo, aliás) e vi que as ironias são do tamanho do caveirão do BOPE.
Eu não consigo enxergar uma ‘ode a violência’, embora digam que não há outra maneira de interpretar o filme. Até posso entender quem enxerga um ‘fascismo’ (que muitas vezes quer dizer, ‘não concordo com o filme, mimimi’) Uma ode, a princípio, seria uma exaltação, um embelezamento; Cap. Nascimento salvaria o RJ sem nem despentear o cabelo e vivem felizes para sempre!!!111. Alguns enxergam o Cap. Nascimento exatamente dessa maneira, como o herói que vai salvar o RJ! Ih, pior ainda!! Ode a violência pra mim é Rambo, é Jack Bauer.
Cap. Nascimento, podemos pensar que é um coitado. É praticamente um Sísifo, pelo menos não tem que empurrar o caveirão morro acima. É como o funcionário que se mata de horas extras; não adianta nada. Isso fica claro desde o início, quando CN profere sua famosa falsa tricotomia “Na polícia você tem três opções: ou você se corrompe, ou se omite ou vai pra guerra!”.
Claro, CN é um Bully, é um Alucinado pela sua Missão, troca a desonestidade (dos outros) pela truculência e pelo radicalismo (no fundo, não muda nada). Essa é a grande marca da sua impotência. E CN que é o fascista, não o filme.
Mas chega de CN por enquanto, vamos falar dos universitários. Como todo bom universitário brasileiro, não sabem porque estão lá, em que curso estão e o que afinal significa tudo que estão estudando. O legal mesmo é ‘brincar de salvar os pobres’ e ainda ganhar um desconto, ahem, baseado na ONG. Junte a isso uma ingenuidade cega e as atitudes inconsequentes dos universitários (das quais fumar é uma das menos piores). Será que é tão diferente assim de dirigir bêbado em alta velocidade???
Pagaram o preço, em uma das melhores cenas do filme, IMHO. Não quiseram enxergar no que estavam se metendo.
Uma coisa a se considerar… Porque afinal foi Mathias o escolhido para ser o sucessor de CN?? Infelizmente não lembro de tudo.
Mas veja o que Mathias faz. A ’subplot’ do óculos não está lá por acaso. Mathias é o único que tenta resolver de verdade o problema do menino. Mathias também vai e encara o vendedor de produtos naturais da faculdade na “Passeata pela Paz”.
E então vamos pensar em algumas coisa: CN vê o usuário de drogas como o “culpado máximo” por todas os problemas. Será então, o usuário é tão culpado quanto os traficante que botaram a turminha no microondas??
E eu penso: Não dá pra ser ingênuo. Talvez não 100% igualmente culpado, mas tem sua parcela. E principalmente, não precisava ser assim. O consumidor tem um objetivo bem claro, que pode ser alcançado de diversas formas. E vão atrás desse objetivo, independente de classe social, cor, religião, proibido ou não (proibição de ações sem vítimas - ou melhor, a criminalização da atividade tem que se sustentar sozinha - normalmente não adiantam nada, pra quem ainda não percebeu - aliás, fomenta a violência, como a Lei Seca nos EUA bem provou).
Para finalizar, uma citação de José Padilha:
“já é hora de acabar com essas categorizações entre direita e esquerda, porque o que interessa é o que está acontecendo”
http://blog.cpu.eti.br/?p=87
[Pois é, legal!! Aqui tem um resumão da sabatina]